Lygia Pape, 1972

E se você visse MMM ocultar o olho e cortar os metais – os grampos segurando os furos e as ondas raspadas murmurando os espaços?

E se você navegasse as nervuras e as arestas por cima e por baixo?

Veria as ossadas da era metalizada e a espinha do dorso do animal anodizado quando ele encrespa ou jorra luz.

Você não sabe nada.

O que lateja em rajadas de alumínio ou nos degraus que a mão ferida ensanguentada aponta e corta num animal anodizado.

Ascânio pega o perfil que era perfil e transforma em outra coisa – em fresta ou pedaço. Eu também ouço o som da cor que pode ser um vermelho. Mas é um som simples, e que pode me mostrar muitos caminhos. Que me importam as redundâncias? Elas estão aí para dizer pouco ou nada. Que me importam os sistemas que me podem aprisionar, se eu estou livre e posso determinar? E eu crio o casamento do feitiço com o feiticeiro.
É assim que se escapa ou nós não queremos escapar? Já estamos muito longe, de fora, alias, sempre estivemos. E não vale a pena olhar para trás, a fila é enorme e os diluidores aumentam. Mas cuidado, a burrice está na mesa e você está de garfo e  faca – sirva-se. Como contra veneno – ASCÂNIO MMM

PS. Lembro que o problema hoje é ético.

[texto publicado no catálogo da exposição individual de Ascânio MMM na Galeria Grupo B no Rio de Janeiro, em 1972]